quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O dia que ganhei meu filho João Noah ( Parte 5)

          Paramos onde mesmo? Ah, ta! Lembre! Sim, depois de anestesiada deitei na maca, os médicos e enfermeiros vão logo te deitando, te amarrando, sim, vc leu corretamente, amarrando, eles amarram teus braços, na verdade isso é uma proteção caso vc fique nervosa e meta a mão lá pelas tuas tripas, já pensou? Fiquei aqui me imaginando com meu intestino fazendo cordão, mas vamus esquecer esse negocio de tripa, até porque estamos falando de partos e não de viceras. (To me acabando de rir aqui).  Depois disso vc sente um cheiro muito estranho, caraca nem sei como descrever, um cheiro parecido com unha queimada ( sim, eu já queimei minha unha), gordura queimada só que misturada com borracha, bem difícil descrever esse cheiro, só sei dizer que não é um cheiro lá muito agradável. Esse cheiro na verdade é a hora em que eles estão cortando suas oito camadas na pele, isso mesmo amiga, eles cortam oito camadas até chegar no bebê, no meu caso foram oito camadas e cada camada tinha um metro de espessura. Exagerada não? Kkkkkkkkkkkkk
          Os médicos ficam muito tranqüilos, tão tranqüilos que eles começam a conversar como se estivessem em uma mesa de bar, ou em uma fila de banco, ou melhor, na fila do açougue ( muitos risos aqui, que comparação é essa meu Deus) pra comprar dois quilos de carne gorda. Eles conversam sobre variados assuntos, lembro que na minha cirurgia o assunto deles era sobre a babá que tomou o marido de uma amiga deles, falavam que o marido era um cara de pau mas que tbm a culpa era da esposa por ter contratado uma babá nova, o que eles queriam então, uma velha anciã (velha anciã foi ótima kkkkkkkkk) gagá que nem se segura nas pernas? Não gente, eu não falava nada, apenas atrapalhava a conversa deles perguntando pelo Alexandre ( meu digníssimo esposo) que estava demorando muito, a medica tentava me acalma dizendo que só perto da crianca nascer que eles chamariam ele, fazer o que né, o jeito era ficar esperando ouvi do aquele papo de chifre, perda, cachorrada e sacanagem. Kkkkkkkkkkkkk
           Eu meio que tive uma surto de nervosismo, ficava toda hora perguntando se iria demorar, se o bebê já iria nascer, se o Ale iria demorar, seria normal essas perguntas se eu fizesse apenas uma vez, mas eu ficava repetindo, repetindo e repetindo. Ouvi uma mulher dizer que era pra me darem mais morfina, acho que era pra eu calar a boca, nem sei se resolver, pois eu continuava do mesmo jeito, perguntando e perguntando.
          Quando o Alê chegou eu fiquei um pouco mais calma, pois quando o pai chega isso quer dizer que hora também chegou, ele tentava me acalmar, mas confesso que era meio que inútil porque eu continuava com as perguntas, e o pior era perguntar se numa faixa de 100% quanto faltava pra nascer,
Acho que a médica queria me engasgar.
           Eu não sentia nada da cintura pra baixo, mas na hora que vai nascer é bem louco, tipo, fica uma mulher com as mãos logo abaixo dos seios, bem no inicio da barriga, ela fica fazendo pressão, fica empurrando o bebê, nessa hora a médica chama o pai do bebê pra perto pra ele poder ver o bebê nascendo, então vc sabe que hora realmente chegou, a mulher aperta com bastante força que vc perde o ar, então o milagre da vida acontece, o bebê sai (pula) da sua barriga e nesse momento vc fica, como explicar em palavras, nossa realmente nem sei como dizer.
          Não sei se vcs sabem mas é meu segundo parto, mas quando eu entrei na sala, por tudo que aconteceu, era como se fosse a minha "outra primeira vez" se é que isso é possível (muitos risos) eu estava muito entregue ao momento, entregue ao meu filho, que era como se eu nunca tivesse pisado na sala de cirurgia, era realmente minha outra primeira vez, muito sinistro isso, na verdade ter um filho é muito louco, muito mágico, é uma explosão de sentimentos misturados, vc fica nervosa, ansiosa, com medo, fica triste, fica alegre, chora, rir, se emociona, fica sensível, fica forte, nossa, é uma coisa realmente muito louca.
          Quando o João nasceu a enfermeira... Ahhhhh fica para o próximo post né? Kkkkkk



           Beijos e atéa próxima.

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